Fingermann lembra 30 anos de carreira com mostra - Camila Molina
Artista abre exposição na Pinacoteca do Estado e também lança livro.
Completando 30 anos de carreira, o artista plástico paulistano Sergio Fingermann abre hoje na Pinacoteca do Estado uma exposição de pinturas recentes e gravuras em metal e lança o livro Fragmentos de um Dia Extenso para não só questionar o ato de pintar, mas, de um modo mais abrangente, questionar a atividade artística ou o que seria a arte em sua concepção. Essa é uma exposição itinerante, que foi aberta em setembro no Instituto Moreira Salles do Rio, chega, agora, a São Paulo e pode ser vista pelo público nas duas cidades. Depois poderá ir para outros locais.
A exposição em São Paulo reúne 20 pinturas sobre telas em grandes formatos que foram produzidas entre 2000 e este ano, pinturas sobre papel e traz gravuras antigas para os espectadores identificarem marcas e signos que aparecem durante todo o seu percurso pictórico. “Não é uma retrospectiva, mas uma maneira de pontuar questões antigas que ainda estão presentes e são insistentes”, justifica Fingermann.
Pode-se dizer que a mostra está atrelada diretamente ao livro no sentido de trazer à tona esse caráter reflexivo sobre a produção artística. O título Fragmentos de um Dia Extenso foi emprestado de uma gravura que Fingermann fez em 1976. No livro, o artista explica: “Resolvi fazer desse acaso uma espécie de investigação./ As lembranças, associações de idéias, descobertas/ invenções, fantasias que a revelação me/ provocou, registrei em cadernos de desenhos, fiz/ gravuras e pinturas, comecei assim uma/ série de trabalhos que chamei de fragmentos/ de um dia extenso”.
Apesar de escrever para o livro, o artista diz não Ter nenhuma pretensão literária. “A escrita eu uso como artifício para encontrar o lado poético. É como uma ponte para fazer a conexão com o outro. A escrita funciona como um testemunho, é para precisar as questões próprias da arte”, diz. Às vezes, aparecem palavras nas pinturas de Fingermann, entretanto, nenhuma obra possui título. “Para mim, o título é uma falas pista. É legal deixar o espectador pensar, não com um esforço intelectual, mas da sensação, do mais primitivo”. Para o artista, o espectador é decisivo e a pintura funciona como um enigma que deve ser elaborado, refletido.
Já a pintura, Fingermann a utiliza como uma “linguagem para discutir a ação”. Além disso, traz outras questões como a da representação, da experiência do olhar, da percepção e da ética já que para ele a arte faz hoje o papel da religião no sentido de resgatar o humanismo . Fingermann afirma que não consegue pensar a arte sem ser pelo lado metafísico. “Nunca faria arte por conceitos”, afirma.
Para finalizar o livro, o artista escreve: “O que vejo na pintura é a possibilidade/ de um encontro com uma sensação de eternidade./ O que a pintura possibilita é ver o que / já existia antes do começo./ É como se aquilo que estamos vendo como imagem/ já existisse anteriormente e fosse de novo/. Revelado por meio da pintura./ Provavelmente aí é que surge a sensação de reencontro/ como o que de certa forma já existia, e sempre habitou aquele espaço./ Mistério: buscamos o lugar onde ele não se encontra, / mas que aparece como possibilidade./ Por isso insistimos./ Por isso continuamos./ Às vezes guardamos fragmentos desse dia extenso.”
O livro foi editado e produzido pela BEI e tem projeto gráfico de Kiko Farkas. Seu preço é R$ 95,00 e na ocasião também será lançado um segundo livro catálogo que recebeu o título Cronologia e que acompanha Fragmentos de um Dia Extenso. O Unibanco Private Bank e o Grupo Takano patrocinaram as duas exposições e os dois livros.
